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06/04/2026 12:03 | Colunistas
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por Bia Siqueira

Conscientização do Autismo

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Cresci adulta, responsável por mim mesma
Não sem amor, pelo contrário…
Mas sim com uma maturidade
Exageradamente exagerada.
Nunca soube ser irresponsável
Mesmo quando criança eu era.
E hoje sou cansada, de toda essa responsabilidade
Sou exausta de todos esses pensamentos
Que povoam a minha mente desde sempre
Exausta das várias e falhas tentativas
De ser correta o tempo inteiro.
De fazer tudo sempre e de estar sempre presente.
Mas principalmente, estou exausta…
De aguentar tudo sempre!

Escrevi esse texto já tem algum tempo, talvez anos. E ele nunca teve um título. Mas em algum momento, depois do diagnóstico do transtorno do espectro autista, ele recebeu o nome de TEA. Não sei bem o porquê e nem quando aconteceu, apenas senti que esse deveria ser seu título.
Às vezes me pego pensando nas falas que já ouvi: “Todo mundo é um pouco autista”, “Hoje todo mundo é autista, na minha época não tinha isso”, “Autismo hoje é moda”. Eu não sei qual dói mais e nem qual é mais difícil de ouvir… Porque na minha humilde opinião e percepção, ser autista e não ter condições financeiras para arcar com todo o tratamento que precisamos, não é algo que escolheríamos ser; pelo menos eu não. Ah, você tem vergonha de ser quem é? Tem vergonha de ser autista? NÃO, não tenho. Mas sim, tenho exaustão por precisar ainda lidar com tanta falta de informação, tanto preconceito, por ter de lidar com a falta de terapias específicas, por ter que ouvir que eu não pareço autista, quando lá dentro de mim eu estou quase em completa exaustão para que você, pessoa que convive comigo, não perceba o quão diferente sou; que estou entrando em crise de sobrecarga, seja pela luz, pelos sons ou as muitas pessoas que vem e vão… Coisas simples para a maioria, mas que me exaurem diariamente.
E se eu ficasse em casa? E se eu me “escondesse” da sociedade, do trabalho, da vida…? Talvez alguns possam se perguntar, não é mesmo? Porém, eu me pergunto sempre: “Eu não deveria ter acesso aos tratamentos?” “Não é meu direito como pessoa e ser humano, independente de deficiência ou não, poder participar ativamente da sociedade? Porém, como pessoa com deficiência, adaptações precisam existir, correto?” O problema é, novamente, quando não temos acesso a essas adaptações, aos tratamentos e até medicamentos. Seja por limitação financeira ou qualquer outra.
Pra mim, me descobrir autista na vida adulta, não foi apenas me redescobrir, mas colocar em xeque quem eu fui por quase quarenta anos. E a partir de agora, eu consigo entender que não preciso ser diferente de quem sou para ser aceita, pois para mim, o diferente é apenas o meu verdadeiro eu.

* Esse texto contém minhas emoções, sentimentos e percepções sobre as coisas da vida, baseado no que sinto. Sem a intenção de convencer.

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💬 Comentários


Aline Borges em 06/04/2026 21:06

Seu texto tem verdade, minha amiga.
E eu, como mãe atípica, TEAcolho com todo o meu amor e respeito. Por você ter sobrevivido a um mundo que, mesmo sem você perceber, te obrigou a mascarar sentimentos e a carregar um peso que não te pertencia.
Eu te aplaudo de pé.