A impotência da mãe atípica tem um silêncio próprio.
É aquele silêncio que acontece quando o filho sofre
e tudo o que existe dentro de você implora para arrancá-lo dali,
tomar o lugar dele,
negociar com Deus, com o universo, com quem for
só para que a dor mude de endereço.
Mas não muda.
O CEP continua o mesmo.
Há sofrimentos que uma mãe não pode impedir.
Só acompanhar.
Só permanecer.
E talvez essa seja uma das descobertas mais cruéis da maternidade:
amar alguém com toda a alma
não nos dá o poder de protegê-lo de tudo.
Naquele dia, voltei para casa me sentindo diminuta.
Inútil.
Como se todo meu amor tivesse falhado diante do sofrimento dele.
Porque há uma culpa silenciosa que mora no peito das mães:
a de confundir impotência com incompetência.
A de acreditar que, se o filho sofreu,
então em algum lugar nós faltamos.
Sempre nos falta:
mais força,
mais preparo,
mais controle,
mais capacidade de proteger.
Mas hoje meu filho sentou para escrever sobre aquele dia difícil.
E entre todas as memórias que ele poderia guardar,
não foi a dor que escolheu registrar.
Foi a minha presença.
Ele escreveu que se sentiu seguro porque eu estava ali.
Que eu soube acalmá-lo.
Que meu abraço fez diferença.
E então eu entendi, com o coração apertado e curado ao mesmo tempo:
enquanto eu me condenava
por não conseguir poupá-lo da tempestade,
ele só se lembrava
de quem ficou ao lado dele na tempestade.
Talvez maternidade não seja sobre evitar toda dor.
Talvez seja sobre garantir
que nenhuma dor encontre nosso filho sozinho.
Talvez amor de mãe
não seja o poder de salvar de tudo —
mas a coragem de permanecer
quando não há nada a fazer
além de amar,
acalmar,
e ficar.
Se eu não puder impedir todas as tempestades da vida dele,
que eu ao menos seja sempre
o porto seguro para onde ele corre
quando o céu desabar.
Porque, no fim,
talvez os filhos não se lembrem
de quantas dores tivemos o poder de evitar
mas jamais esquecem
quem foi o colo seguro
onde puderam desabar.
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