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15/04/2026 21:40 | Colunistas
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por Aline Borges

A ausência da presença

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Há abandonos

que não chegam em forma de partida.

Não fazem barulho.

Não batem portas.

Não anunciam o fim.

Apenas se instalam — silenciosos —

no espaço entre duas pessoas

que continuam ali,

mas já não se alcançam.

Porque nem toda ausência

vem da distância.

Às vezes,

ela se senta ao seu lado,

divide a rotina,

responde quando chamada,

cumpre presença —

mas já não habita

verdadeiramente

lugar algum.

O corpo permanece.

A essência se retira.

E talvez essa seja

uma das formas mais confusas de solidão:

sentir falta de alguém

que ainda está.

Quem parte

leva consigo a dor do adeus.

Mas quem fica sem estar

deixa um vazio

difícil de nomear.

Porque não há como elaborar o luto

por aquilo que ainda não terminou,

mesmo já tendo acabado

em silêncio.

A ausência da presença

mora nos detalhes das reticências…

No olhar

que já não repousa —

apenas atravessa.

Na conversa

que perdeu profundidade.

No toque automático.

Na convivência

que se tornou protocolo.

É quando o afeto

deixa de ser encontro

e passa

a ser apenas hiato.

Algumas relações

não acabam de uma vez.

Desgastam-se aos poucos —

como tecido antigo,

puído pelo tempo,

até romper

sem alarde.

E talvez o que mais fira

não seja a ausência em si,

mas o intervalo doloroso

entre perceber

que algo mudou

e aceitar

que algumas coisas

nunca voltam

a ser como antes.

A ausência da presença ensina,

com uma crueldade silenciosa,

que proximidade

nem sempre significa conexão.

Há quem esteja perto

e ainda assim

infinitamente distante.

Há quem permaneça

sem realmente ficar.

E há dores

que não nascem da despedida —

mas do instante

em que se percebe

que alguém deixou de estar presente

muito antes de partir.

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