Hoje é Dia do Trabalhador.
Mas, para muita gente, também é o Dia do Trabalha com Dor.
É o despertador que toca antes da coragem.
É o corpo negociando cada movimento como quem parcela uma dívida antiga.
É levantar não porque dá, mas porque precisa.
Tem gente que trabalha com dor nas costas, no joelho, na alma.
Dor que não aparece no raio-x da firma.
Dor que não bate ponto, mas cumpre expediente junto.
Tem quem sorria na reunião enquanto o nervo queima.
Quem atende cliente contando os minutos para sentar.
Quem digita com mãos inflamadas.
Quem limpa, carrega, vende, ensina, dirige, cuida… doendo.
E ainda escuta:
“Mas você nem parece estar com dor.”
Como se sofrimento precisasse de uniforme.
Como se só valesse o que os olhos dos outros aprovam.
Há trabalhadores que produzem apesar da dor.
E há os que, naquele dia, só conseguiram sobreviver a ela.
Ambos merecem respeito.
Porque produtividade não mede batalha invisível.
Meta nenhuma contabiliza o esforço de quem venceu o simples ato de levantar da cama.
Hoje, no Dia do Trabalhador, penso especialmente em quem trabalha ferido por dentro.
Em quem segue mesmo mancando por lugares que ninguém vê.
Seu cansaço tem nome.
Sua luta tem valor.
E sua existência vale mais do que qualquer crachá.
Feliz Dia do Trabalhador.
E abraço silencioso a quem, todos os dias, trabalha com dor.
Nenhum comentário até o momento.