No Brasil, mais de 20 milhões de mulheres vivem a realidade da maternidade solo. São mães que sustentam financeiramente seus filhos, cuidam da casa, administram a rotina, acolhem emocionalmente, educam, protegem e, muitas vezes, fazem tudo isso sem rede de apoio. Enquanto desempenham múltiplas funções diariamente, ainda enfrentam uma sociedade que romantiza a sobrecarga feminina como se fosse sinônimo de amor materno.
Existe uma cultura que valoriza a mãe que se doa até o limite, que abre mão de si mesma, dos próprios sonhos, do descanso e até da própria saúde mental em nome dos filhos. A exaustão é frequentemente vista como prova de dedicação. Como se uma boa mãe precisasse suportar tudo em silêncio.
Ao mesmo tempo, a responsabilidade paterna ainda é tratada como opcional em muitos contextos. Homens frequentemente recebem reconhecimento por fazer o mínimo, enquanto das mulheres se espera presença integral, disponibilidade constante e competência emocional inabalável. A cobrança sobre a maternidade é intensa; sobre a paternidade, muitas vezes, insuficiente.
O resultado dessa desigualdade aparece no adoecimento emocional de milhares de mulheres. Ansiedade, sobrecarga, culpa, esgotamento e depressão fazem parte da rotina de muitas mães solo que vivem em estado permanente de sobrevivência.
Falar sobre maternidade solo não é desmerecer mães que têm rede de apoio, nem atacar a figura paterna. É reconhecer uma realidade social que precisa ser discutida com mais honestidade e responsabilidade. Todas as crianças são responsabilidade também da comunidade e do estado e é importante que tenhamos politicas publicas que fortaleçam e apoiem esse modelo familiar. Toda criança é filha de pelo menos duas pessoas. Por que muitas vezes somente as mães se responsabilizam de fato?
Cuidar da saúde mental materna também é cuidar das crianças, das famílias e da sociedade como um todo.
Nenhum comentário até o momento.