Hoje participei da missa de um jeito diferente.
Fui sorteada para levar uma vela até Nossa Senhora Auxiliadora justamente no dia DELA. E não era um domingo qualquer. Era 24 de maio. Dia de Nossa Senhora Auxiliadora. Dia de Pentecostes. Um daqueles domingos que parecem respirar algo diferente dentro da igreja.
Enquanto caminhava com aquela vela nas mãos, pensei numa ausência que me acompanha desde a infância:
eu nunca coroeei Nossa Senhora.
Carrego esse pequeno “trauma” no peito desde menina. Eu era a criança apaixonada pela coroação. A que chorava ouvindo a música. A que olhava para Nossa Senhora como quem olha para casa.
E, de algum jeito, passei a vida querendo colocar uma coroa na cabeça da minha Rainha.
Hoje não foi a coroa.
Foi uma vela.
E talvez exista algo profundamente bonito nisso.
Porque, enquanto meu corpo caminhava até Ela — esse mesmo corpo que já conheceu a paralisia, a dor e tantos recomeços — percebi que aquela chama também falava sobre mim.
Depois de tantas noites escuras, tantas perdas, tanto medo, tanta reconstrução…
ainda existe luz acesa aqui dentro.
Uma luz que nem a UTI apagou.
Nem a dor apagou.
Nem o medo apagou.
Hoje não coloquei uma coroa sobre Nossa Senhora Auxiliadora.
Mas levei até Ela uma chama que arde em mim desde que nasci.
E saí da missa pensando que talvez a fé seja exatamente isso:
continuar carregando luz, mesmo quando a vida pesa nas mãos.
Ainda sonho com o dia em que vou coroar minha Rainha.
Mas, hoje, enquanto a chama tremia diante d’Ela…
acho que Nossa Senhora sorriu para mim do mesmo jeito.
Nenhum comentário até o momento.