Estive em São Paulo no final de maio para um Seminário de Educação promovido pelo SINASEFE. O trajeto de menos de um quilômetro de distância entre o hotel e a FATEC, no Centro da capital paulista, foi cumprido de metrô. Prático, rápido, barato. Num momento de folga, o mesmo modal me levou ao MASP, na Avenida Paulista. Com horários apertados, tive que recorrer a táxi e a aplicativos. Se a estadia fosse maior, os ônibus também seriam alternativa para alguns deslocamentos. Quando vou a Niterói, uso ônibus regularmente, como fazia entre 1992 e 1996, quando cursei minha graduação na UFF. Também usava esse modal aqui em Campos na minha infância e adolescência, para ir do Parque João Maria ao Colégio Salesiano, no Parque Dom Bosco. O transporte público era eficiente nessa planície! Na capital do RJ, após problemas no final da década passada, o BRT se integra aos ônibus convencionais, metrô, trem, VLT e barcas para garantir a circulação de milhões de fluminenses no Grande Rio. Em nenhuma dessas cidades vans, lotadas e bandalhas exercem papel central na circulação de massa. Em Campos, retrocesso! De volta à cidade, observo, no início de junho, matérias em diversos periódicos campistas - e mesmo no site da Prefeitura! - números alarmantes sobre o caos no trânsito urbano e as consequências graves e trágicas que se refletem na emergência do Hospital Ferreira Machado. Mais de 2300 atendimentos envolvendo acidentes com ciclistas e, sobretudo, com motociclistas e mais de 30 óbitos em apenas 5 meses de 2026. Infelizmente, não me surpreende. Em 2013, cursando Mestrado no PPGPRGC da UCAM, escrevi um artigo sobre o colapso do transporte público na cidade. Há 13 anos o sistema já não atendia a população a contento, apesar da "tarifa social" a R$ 1, com o sucateamento do serviço prestado pelos ônibus urbanos e a criação do SETAMP, que depois veríamos, só pioraria o cenário de lá pra cá.Sem transporte público, e sem renda para se socorrer nos táxis e na novidade dos aplicativos de transporte em carros particulares, a população campista "se vira". Carros próprios usados, motos, ciclomotores 50 cilindradas, elétricos, a velha bicicleta e, mais recentemente, bicicletas elétricas! A falta de transporte público de massa eficiente produz aumento de automóveis particulares, bem como de todos esses outros meios de transporte, nas ruas e avenidas da cidade. Caos, engarrafamentos, acidentes e mortes. Tudo isso, efeito da falta de uma política pública de transporte para Campos, governo após governo, de mãe para filho, há quase duas décadas. A mobilidade urbana é um dos piores - senão o pior - serviço público municipal nesse período. A novidade ruim de 2026 é que esse cenário agora pressiona a emergência do maior hospital público da cidade, quase dobrando o número de atendimentos em comparação com 2025 e matando mais pessoas expostas no trânsito.O problema caiu no colo do novo Prefeito. Com mais de dois anos de gestão pela frente, vejamos se ele tem algo diferente da família aliada para esse setor. O ex-prefeito Wladimir teve a oportunidade de renovar a frota de ônibus do município com financiamento pela Caixa Econômica Federal, em condições altamente favoráveis, oportunizado pelo Governo Federal e recusou. Ao invés de uma explicação coerente e clara sobre sua decisão, ataques ao governo federal e discurso confuso. Com o agravamento do cenário, vejamos quais ações serão adotadas pelo Prefeito Frederico Paes.
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