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01/07/2026 18:29 | Política

Trump mira rede ligada ao PCC

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O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (1º), sanções contra brasileiros e empresas acusados de integrar uma rede de lavagem de dinheiro supostamente ligada ao Primeiro Comando da Capital, o PCC. A medida foi tomada pelo Departamento do Tesouro norte-americano, por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, conhecido pela sigla OFAC.

Segundo as autoridades americanas, a rede teria atuado entre a Flórida, nos Estados Unidos, e São Paulo, no Brasil, usando o sistema financeiro americano para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas. O governo dos EUA afirma que os valores movimentados ultrapassam US$ 30 milhões, com uso de criptomoedas para transferir recursos de volta ao Brasil.

Entre os principais alvos está Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pelo Tesouro dos EUA como uma peça importante na ligação entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais. Também foi sancionada Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, descrita pelas autoridades americanas como pessoa próxima e parente de Shimada, além de atuar em funções de apoio à movimentação dos valores.

As sanções também atingem empresas apontadas como ligadas ao esquema: Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda.; Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda.; Wave Construções Inteligentes Ltda.; e Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda., empresa com sede em Portugal.

Na prática, a decisão bloqueia bens e interesses dessas pessoas e empresas que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos e instituições americanas. Além disso, pessoas e empresas dos EUA ficam proibidas de realizar transações com os sancionados. Instituições financeiras estrangeiras também podem ser impactadas caso façam operações consideradas relevantes com os alvos da medida.

De acordo com o Departamento do Tesouro, a ação é resultado de uma investigação coordenada por autoridades americanas, incluindo a Força-Tarefa de Segurança Interna, o FBI de Miami e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Em janeiro deste ano, seis integrantes de um núcleo baseado na Flórida já haviam sido presos e acusados de lavagem de dinheiro em uma corte federal americana.

O comunicado americano também cita que Shimada chegou a cumprir prisão domiciliar no Brasil em janeiro de 2025, após uma de suas empresas, a Victory Trading, ser relacionada a um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo recursos desviados de um clube de futebol brasileiro por meio de fraude publicitária.

A medida ocorre em um momento de endurecimento da política dos Estados Unidos contra facções brasileiras. O PCC e o Comando Vermelho passaram a ser tratados pelo governo americano como organizações terroristas, o que ampliou o alcance das sanções e aumentou o risco jurídico para pessoas, empresas e instituições financeiras que tenham qualquer tipo de relação com grupos classificados dessa forma.

Segundo o Tesouro dos EUA, esta é a terceira ação do OFAC contra o PCC e seus operadores. A facção já havia sido incluída na lista de sanções em 2021, e outro operador apontado como ligado ao grupo foi sancionado em 2024.

O governo americano afirma que o PCC representa uma ameaça crescente à segurança nacional dos Estados Unidos, especialmente por sua atuação em lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, transporte de grandes quantias em espécie e uso de estruturas empresariais para movimentar recursos ilícitos.

As pessoas e empresas citadas são tratadas como acusadas pelas autoridades dos Estados Unidos. Até o momento, as sanções têm caráter administrativo e financeiro no âmbito americano, e não significam, por si só, condenação criminal no Brasil.

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