O Tribunal Superior Eleitoral suspendeu, de forma provisória, os efeitos da condenação que havia tornado Marcelo Crivella inelegível até 2028. A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça e permite que o ex-prefeito do Rio e atual deputado federal volte a se movimentar politicamente para disputar as eleições de 2026.
A liminar não absolve Crivella nem encerra o caso. O que o TSE decidiu, neste momento, foi dar efeito suspensivo ao recurso apresentado pela defesa, ou seja, interromper os efeitos práticos da condenação até uma nova análise da Corte Superior.
Crivella havia sido condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro por abuso de poder político e econômico e conduta vedada nas eleições de 2020. Na época, o TRE-RJ aplicou inelegibilidade de oito anos, contados a partir daquele pleito, além de multa.
O caso está ligado à investigação conhecida como “QG da Propina”, que apurou um suposto esquema de favorecimento de empresas durante a gestão de Crivella na Prefeitura do Rio. A ação eleitoral apontava que a estrutura teria beneficiado interesses políticos e eleitorais, tese contestada pela defesa do parlamentar.
Na decisão, André Mendonça destacou que havia controvérsia jurídica relevante sobre a ligação dos fatos investigados com a eleição de 2020. Segundo o ministro, parte da discussão envolve saber se os acontecimentos atribuídos a Crivella tinham gravidade suficiente, em relação àquele pleito, para justificar a inelegibilidade.
Outro ponto considerado pelo ministro foi o calendário eleitoral. A defesa afirmou que Crivella pretende disputar uma vaga ao Senado pelo Rio de Janeiro e argumentou que a manutenção da inelegibilidade poderia impedir sua participação nas convenções partidárias, marcadas para começar em julho.
Mendonça entendeu que a proximidade das convenções e do prazo de registro de candidaturas poderia causar um dano difícil de reparar caso Crivella fosse impedido de participar do processo eleitoral antes do julgamento definitivo do recurso.
Com a liminar, Crivella recupera provisoriamente a possibilidade de disputar as eleições de 2026. A medida, no entanto, pode ser revista pelo próprio TSE. Se a Corte mantiver a condenação no julgamento final, os efeitos da inelegibilidade podem voltar.
A decisão muda o tabuleiro político no Rio de Janeiro, principalmente na disputa pelo Senado. Crivella é uma figura conhecida do eleitorado fluminense, já foi senador, prefeito da capital e mantém forte ligação com setores evangélicos e conservadores.
Apesar da vitória temporária, o futuro político do ex-prefeito ainda depende do julgamento definitivo do recurso. Por enquanto, a decisão representa uma reviravolta importante: Crivella sai da condição de inelegível e volta a ser um possível nome na corrida eleitoral de 2026.
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