O cancelamento de um show de Gusttavo Lima em Surubim, no Agreste de Pernambuco, virou uma crise pública envolvendo o cantor, a prefeitura da cidade e produtores de eventos. A apresentação, que fazia parte da programação junina do município, foi cancelada duas vezes e terminou em troca de acusações, cobrança de devolução de cachê e desgaste nos bastidores.
A primeira apresentação estava marcada para o dia 18 de junho. Na ocasião, a equipe de Gusttavo Lima informou que havia identificado descumprimento contratual por causa da associação da imagem do artista à marca VaideBet, casa de apostas com a qual ele já teve vínculo. Atualmente, o cantor é patrocinado por outra empresa do setor, a Aposta Ganha, concorrente da VaideBet.
Segundo produtores envolvidos na contratação, o impasse teria começado justamente por causa do patrocínio da festa. O produtor Bruno Rego, sócio da BG Promoções, afirmou ao G1 que Gusttavo Lima teria se recusado a se apresentar ao perceber a presença da marca VaideBet entre os patrocinadores do evento.
Depois da primeira desistência, houve nova negociação entre as partes, e o show foi remarcado para o dia 27 de junho. A expectativa era que o cantor se apresentasse em Surubim após cumprir agenda em Caruaru, cidade localizada a cerca de 80 quilômetros.
Na nova data, Gusttavo Lima se apresentou no Pátio do Forró, em Caruaru, por volta das 22h, mas não seguiu para Surubim. Segundo a reportagem, após deixar Caruaru, o cantor foi para o Aeroporto do Recife e embarcou para Goiânia.
Nas redes sociais, Gusttavo Lima pediu desculpas ao público de Surubim e afirmou que não conseguiu comparecer por causa de uma intoxicação alimentar. O próprio cantor usou uma expressão popular para explicar o problema de saúde e disse que estava com diarreia, fraco e suando frio.
A justificativa, no entanto, não encerrou a polêmica. O prefeito de Surubim, Cléber Chaparral, subiu ao palco da festa e criticou duramente o cantor diante do público. Ele cobrou a devolução do dinheiro pago pela apresentação e afirmou que o município não aceitaria ficar no prejuízo.
O valor do contrato girava em torno de R$ 1,3 milhão. Após a repercussão, Gusttavo Lima afirmou que o cachê já havia sido devolvido. A prefeitura, porém, contestou a versão e disse que a devolução teria sido apenas parcial, não encerrando a discussão administrativa e jurídica.
Nos bastidores, produtores afirmam que a segunda desistência também teria sido motivada por novos desgastes. Segundo Bruno Rego, além da discussão envolvendo a VaideBet, a equipe do cantor teria pedido a retirada de bandeirolas com a marca da casa de apostas e demonstrado insatisfação com a posição do artista na grade do evento, já que ele teria sido encaixado depois de Luan Santana.
A BG Promoções, empresa que intermediou a contratação, também criticou a postura do cantor. O produtor afirmou que não pretende contratar Gusttavo Lima novamente enquanto não houver uma retratação pública.
A empresária Manoela Furtado Rego, sócia da BG, também se manifestou nas redes sociais e classificou o episódio como uma situação de ego, vaidade e irresponsabilidade. Para os produtores, a versão apresentada pelo cantor não explicaria todos os bastidores da crise.
O caso ganhou ainda mais repercussão por envolver dinheiro público, cachê milionário e uma festa tradicional do calendário junino nordestino. Em Surubim, a apresentação de Gusttavo Lima era uma das mais aguardadas pelo público.
Com versões diferentes sobre o motivo real do cancelamento, a polêmica segue aberta. De um lado, Gusttavo Lima sustenta que não conseguiu se apresentar por motivo de saúde e afirma ter devolvido o cachê. Do outro, a prefeitura e produtores contestam parte da versão, apontam desgastes anteriores envolvendo patrocínio de bet e cobram responsabilização pelo cancelamento.
A Prefeitura de Surubim informou que o episódio ainda não foi encerrado e que poderá adotar medidas administrativas e jurídicas cabíveis para tratar da devolução dos valores e dos prejuízos causados ao município.
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