Uma mulher e o filho autista viveram cinco anos sem acesso à energia elétrica na casa onde moravam como vingança do ex-marido dela em Criciúma, no Sul de Santa Catarina. O caso foi revelado pelo Ministério Público do Estado (MPSC) e o órgão detalhou que o homem passou a impedir o acesso ao serviço essencial após a vítima pedir uma medida protetiva contra ele, que determinou o afastamento do agressor do imóvel.
A situação se arrastava desde 2021, quando a mulher sofreu violência doméstica, e só mudou em junho deste ano, após decisão judicial determinar o restabelecimento da energia elétrica.
"Eu tomava banho em casa igual antigamente, de bacia. O vizinho me ajudou muito. Ele botou até uma extensão para botar bateria para recarregar celular. Eu tinha gaveta no freezer dele para botar carne", relatou a mulher em vídeo divulgado pelo MPSC.
Durante o período sem energia, a mulher aquecia água no fogão para tomar banho e enfrentava calor intenso no verão apenas com as janelas abertas. Também dependia da ajuda de vizinhos para guardar alimentos na geladeira, carregar o celular ou usar equipamentos elétricos básicos.
O MPSC ao tomar conhecimento entrou com uma ação pelo Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT). Após a medida protetiva, o agressor solicitou o desligamento da energia elétrica da residência, já que a unidade consumidora estava registrada no nome dele.
Ele morreu um ano depois, mas a violência foi mantida pelos ex-sogros, que seguiram impedindo o religamento da rede. A intenção era forçar a vítima a abandonar a casa onde construiu a família e viveu por mais de 20 anos.
Com isso, a mulher e o filho passaram a enfrentar uma realidade marcada por limitações diárias e constantes privações.
“Eu tinha pedido ajuda já lá atrás. Eu pedi uma medida contra o meu marido, que era um alcoólatra, e com essa protetiva ele foi lá e mandou desligar a energia para me ver saindo de casa. Mas eu não saí. Vivi esse tempo todo com o meu filho autista sem energia. Às vezes o meu filho se desesperava sem energia, ia para a casa da minha mãe, mas assim fomos vivendo”, contou a vítima.
Fonte: G1
Mas a justiça não poderia ordenar q desligasse a energia?