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05/07/2026 19:59 | Articulistas

Silêncio no Brasil

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Há um silêncio que só existe depois da derrota.

Não é o silêncio da madrugada, nem o da biblioteca. É um silêncio diferente, daqueles que invadem as ruas depois do apito final. As bandeiras continuam penduradas nas janelas, mas já não dançam. As cadeiras de plástico permanecem nas calçadas, agora vazias. A televisão ainda está ligada, mas ninguém presta atenção no comentarista tentando explicar o inexplicável.

O Brasil perdeu.

Curioso como um jogo consegue mudar o humor de um país inteiro. Há poucos minutos, havia buzinas, abraços entre desconhecidos, crianças correndo com a camisa amarela e adultos fazendo contas sobre o caminho até a final. Bastaram noventa minutos para que a esperança voltasse a caber dentro de uma gaveta, ao lado da bandeira cuidadosamente dobrada.

Quem olha de fora talvez ache exagero. “É só futebol”, dizem.

Mas nunca foi só futebol.

É a avó que prepara o almoço mais cedo para ninguém perder o início da partida. É o pai que explica a regra do impedimento pela décima vez ao filho, mesmo sabendo que ele vai perguntar de novo no próximo lance. É o vizinho que empresta a televisão maior, o cachorro vestido de verde e amarelo, a rua inteira comemorando um gol como se todos morassem na mesma casa.

Na Copa, o Brasil se reconhece. Por alguns dias, esquecemos diferenças, opiniões e pressas. Somos apenas torcedores acreditando que, desta vez, a história terá um final feliz.

Quando a eliminação chega, ela leva consigo mais do que um sonho esportivo. Leva a desculpa para reunir a família no meio da semana, o grupo de mensagens cheio de palpites, a criança que já imaginava desenhar a sexta estrela na escola.

Mas existe algo que nenhuma derrota consegue levar.

A capacidade de acreditar outra vez.

Porque o brasileiro sofre de um jeito curioso: lamenta hoje, reclama amanhã, promete nunca mais criar expectativa… e, quando a próxima Copa começa, veste novamente a mesma camisa, pendura outra vez a bandeira na janela e canta o hino com os olhos brilhando, como se o coração nunca tivesse sido derrotado.

Talvez seja esse o nosso maior título.

Não as cinco estrelas bordadas no peito, mas essa insistência bonita de continuar sonhando, mesmo depois que o juiz apita o fim.

Afinal, campeonatos terminam. A esperança, essa teimosa, sempre encontra um jeito de entrar em campo de novo.

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