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18/07/2026 09:19 | Articulistas

Ludopatia: quando a aposta deixa de ser jogo e se torna um problema de saúde pública

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Durante muito tempo, o vício em jogos foi tratado como falta de disciplina, irresponsabilidade ou simples dificuldade para controlar impulsos. Hoje, a ciência e a medicina já demonstraram que essa visão está errada. A dependência em jogos e apostas é uma doença reconhecida internacionalmente, classificada pela Organização Mundial da Saúde sob o CID-10 F63.0 – Jogo Patológico (Ludopatia).

O crescimento acelerado das plataformas de apostas online fez com que esse problema deixasse de atingir apenas indivíduos isolados para alcançar milhares de famílias brasileiras. Não se trata apenas de dinheiro perdido. O que está em jogo são casamentos destruídos, patrimônio dilapidado, depressão, ansiedade, endividamento, afastamento do trabalho, abandono familiar e uma sucessão de consequências que sobrecarregam toda a sociedade.

Os números ajudam a dimensionar esse fenômeno. Em 2025, as empresas de apostas legalizadas registraram cerca de R$ 36 bilhões em receita, consolidando um dos maiores mercados do mundo. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, esse setor já havia alcançado aproximadamente R$ 12 bilhões, indicando que um novo recorde pode ser batido até o fim do ano.

Enquanto a arrecadação cresce, também cresce o número de pessoas adoecendo em silêncio. Muitos apostadores já não jogam buscando diversão. Apostam para recuperar perdas, aliviar a ansiedade ou fugir dos próprios problemas. Entram em um ciclo de compulsão semelhante ao observado em outras dependências comportamentais, no qual a promessa da próxima vitória mantém viva uma esperança que, na prática, aprofunda ainda mais o sofrimento.

Por isso, o debate não pode ficar restrito à arrecadação de impostos, ao patrocínio de clubes ou ao crescimento econômico do setor. O Brasil precisa reconhecer que a ludopatia representa um desafio de saúde pública.

Isso significa ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, capacitar profissionais da rede pública de saúde, oferecer atendimento psicológico e psiquiátrico especializado, desenvolver campanhas permanentes de conscientização e criar políticas públicas voltadas tanto para a prevenção quanto para o tratamento das pessoas afetadas.

Nenhuma sociedade pode considerar normal o crescimento de uma atividade econômica quando ela produz um número crescente de pessoas doentes e famílias em colapso financeiro e emocional. A discussão sobre as apostas não deve ser movida apenas por interesses econômicos ou eleitorais, mas principalmente pela proteção da saúde da população.

A ludopatia tem nome, diagnóstico e classificação médica. Ignorá-la significa fechar os olhos para uma realidade que já bate à porta de milhares de lares brasileiros. Reconhecê-la como um problema de saúde pública é o primeiro passo para impedir que mais famílias paguem um preço alto demais pela falsa promessa de enriquecimento rápido.

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💬 Comentários


Kelly em 18/07/2026 09:35

Tenho visto muitos suicidios com relação à dependência desses jogos malditos