A campanha para deputado federal ainda nem começou oficialmente, mas uma coisa já pode ser percebida: muitos pré-candidatos continuam repetindo um discurso que parece ter parado no tempo. A principal promessa continua sendo a mesma de sempre: "vou trazer recursos para Campos".
Mas será que esse discurso ainda é suficiente?
O Brasil vive um dos momentos geopolíticos mais importantes de sua história recente. O mundo disputa minerais estratégicos, a inteligência artificial avança em ritmo acelerado, novas tecnologias transformam a economia e as relações internacionais passam por profundas mudanças. Nesse cenário, um tema ganhou enorme relevância: as chamadas terras raras.
Apesar do nome, terras raras são um conjunto de minerais essenciais para a fabricação de celulares, computadores, veículos elétricos, equipamentos hospitalares, turbinas eólicas, sistemas de defesa, satélites e praticamente toda a tecnologia de ponta utilizada atualmente. O Brasil possui uma das maiores reservas desses minerais no planeta, o que coloca o país no centro de uma disputa econômica e estratégica entre as grandes potências.
Diante dessa realidade, surge uma pergunta inevitável.
Os pré-candidatos de Campos conhecem esse tema? Já estudaram seus impactos? Têm opinião formada sobre como o Brasil deve explorar essa riqueza? Defendem apenas exportar o minério bruto ou acreditam que o país deve investir na industrialização, agregando tecnologia, empregos e desenvolvimento?
Essas perguntas não têm qualquer relação com ideologia. Elas dizem respeito à preparação de quem pretende representar milhões de brasileiros na Câmara dos Deputados.
Muitas vezes o eleitor acaba acreditando que a principal função de um deputado federal é conseguir verbas para seu município. As emendas parlamentares têm sua importância e ajudam na realização de obras e investimentos. Mas reduzir o mandato a isso é ignorar a verdadeira dimensão do cargo.
Um deputado federal participa da elaboração das leis que regulam a vida de todo o país. Fiscaliza o Poder Executivo, vota reformas constitucionais, analisa tratados internacionais, participa da definição do Orçamento da União e toma decisões que impactam diretamente a economia, a educação, a segurança, a saúde, a tecnologia e a soberania nacional.
Nos próximos anos, temas como inteligência artificial, mineração estratégica, transição energética, proteção de dados, reforma tributária, desenvolvimento industrial e a posição do Brasil na nova ordem econômica mundial estarão entre os principais debates do Congresso Nacional.
É justamente sobre esses assuntos que os futuros deputados precisarão estudar, debater, negociar e votar.
Por isso, talvez tenha chegado a hora de o eleitor mudar também suas perguntas durante a campanha.
Em vez de perguntar apenas quanto determinado candidato conseguirá trazer de recursos para Campos, talvez seja mais importante perguntar se ele está preparado para discutir os grandes desafios que definirão o futuro do Brasil.
Trazer investimentos é importante.
Mas legislar com conhecimento, visão de futuro e responsabilidade é muito mais.
É isso, afinal, que a Constituição espera de um deputado federal. E é isso que o eleitor deveria esperar de quem pede seu voto.
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