O trágico assassinato da advogada e professora Bárbara, ocorrido ontem no bairro da Penha, em Campos dos Goytacazes, não é um caso isolado. É o retrato cruel e recente de uma realidade que continua a cobrar vidas na cidade: o avanço do feminicídio no Norte Fluminense, que acompanha o estarrecedor cenário de violência contra a mulher em todo o Estado do Rio de Janeiro.
O crime ocorrido nesta terça-feira reforça o padrão tristemente previsível observado no município. Na grande maioria dos episódios, os agressores são parceiros ou ex-companheiros. Por trás da tragédia final, quase sempre existe um histórico de agressões prévias que culmina no desfecho fatal uma dinâmica frequentemente alimentada também pela subnotificação e pelo silêncio forçado pelo medo.
Mas o aspecto mais estarrecedor do caso de Bárbara — e de tantas outras vítimas recentes na região — é constatar que a violência física e o risco iminente já haviam sido formalmente registrados. Mesmo após buscar amparo legal e solicitar medidas protetivas de urgência, a barreira do papel mostrou-se insuficiente para deter a violência do agressor. Isso coloca em xeque a efetividade da rede de fiscalização e a capacidade de resposta das autoridades para garantir a integridade de quem toma a difícil decisão de denunciar.
O volume de casos na cidade é massivo. A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Campos registra centenas de ocorrências em curtos intervalos de tempo, evidenciando que a violência doméstica atinge proporções alarmantes no cotidiano local.
A morte de Bárbara precisa ser o ponto de virada para cobranças concretas. Enfrentar o feminicídio em Campos exige mais do que notas de repúdio: requer o fortalecimento real da patrulha de monitoramento de medidas protetivas, integração ágil entre as forças de segurança e o Judiciário e a garantia de que a lei proteja, de fato, a vida de quem clama por socorro.
Está banal já! A justiça brasileira não deu certo no Brasil