Com a proximidade das eleições, a rotina política em Campos dos Goytacazes ganha o mesmo enredo conhecido: promessas de verbas para a saúde local, promessas para o asfalto do bairro, melhorias na iluminação pública e alianças políticas regionais. Embora essas pautas afetem o dia a dia da população, há um problema estrutural nessa abordagem que o eleitor campista precisa notar antes de ir às urnas: estamos elegendo parlamentares federais com discurso de vereador.
Um Deputado Federal não atua na Câmara Municipal nem na Prefeitura. Em Brasília, as decisões tomadas por um parlamentar moldam o futuro econômico, tecnológico e democrático de todo o país — o que, inevitavelmente, impacta o orçamento de Campos e a vida de cada família da região Norte Fluminense.
No entanto, as grandes questões nacionais parecem passar longe dos comícios, sabatinas e redes sociais dos nossos candidatos regionais.
1. Transição energética e Terras Raras: cadê o debate sobre o futuro?
A região Norte Fluminense é historicamente estratégica na produção de petróleo e gás. Mas o mundo está mudando. A pauta dos minerais críticos e terras raras — fundamentais para a transição energética, tecnologia da informação, defesa e indústria de ponta — já domina as discussões no Congresso Nacional e no cenário internacional.
Enquanto o debate global avança, o que os candidatos da nossa terra pensam sobre a política de exploração sustentável, inovação e soberania sobre esses recursos? Como pretendem atrair novas matrizes econômicas para o estado do Rio para além dos royalties do petróleo? O silêncio sobre o tema revela falta de preparação para o cenário industrial dos próximos 20 anos.
2. Taxação e Reforma Tributária: o bolso do cidadão em jogo
A discussão sobre tributação, reforma do imposto de renda, taxação de grandes fortunas, consumo e incentivos fiscais é o coração do trabalho em Brasília. Cada alíquota aprovada ou alterada na Câmara impacta diretamente o preço da cesta básica na prateleira do supermercado em Campos e o custo operacional dos pequenos e médios comerciantes locais.
Mesmo assim, poucos postulantes à Câmara dos Deputados no município apresentam propostas concretas sobre política fiscal. Limitar-se a bordões como "sou contra impostos" ou "vou trazer verbas" não é suficiente para encarar o complexo sistema tributário brasileiro.
3. Solidez democrática e ataques às urnas eletrônicas
Em um cenário em que a confiança nas instituições democráticas e no sistema eleitoral é constantemente colocada à prova, qual é a posição dos nossos representantes? A defesa da integridade do voto e das instituições não é mero formalismo; é a garantia da estabilidade econômica e social de qualquer nação.
Aprovar leis de segurança jurídica e combater a desinformação sobre as urnas e os processos eleitorais é tarefa direta dos congressistas. Eleitores campistas merecem saber se seus candidatos atuarão em defesa da estabilidade democrática ou se aderirão a discursos de divisão sem respaldo institucional.
Exigir mais para votar melhor
O eleitor de Campos tem o direito e o dever de exigir que os candidatos à Câmara dos Deputados demonstrem capacidade técnica e visão global. Cobrar propostas regionais é essencial, mas votar em um deputado federal exige avaliar se aquele nome tem preparo para discutir a economia nacional, a soberania do país e as leis fundamentais do Brasil.
Nas próximas sabatinas e debates, vale fazer a pergunta provocativa: candidato, para além dos problemas do nosso bairro, qual é a sua proposta para o Brasil que nos espera em Brasília?
Nenhum comentário até o momento.