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12/08/2026 09:30 | Política

Os fantásticos políticos ricos de saldo zero

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Basta chegar o período eleitoral para que a mágica aconteça. Ao consultar a declaração de bens entregue ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o ostentador da rede social se transforma, num piscar de olhos, em um verdadeiro frade franciscano.

No papel, não tem uma casa, não tem um carro, não guarda um centavo na poupança e declara um patrimônio total que mal pagaria a fatura do cartão de crédito da sua última festa ou parcela da faculdade do filho.

É impossível observar esse fenômeno sem sentir um nó no estômago. Diante de tamanha discrepância, a pergunta que fica engasgada na garganta de qualquer cidadão honesto é simples: de que vivem essas pessoas?

Como se alimentam? O que bebem? De onde saem as roupas que cobrem seus corpos se, oficialmente, a conta bancária está zerada? Se a matemática básica ainda serve para alguma coisa neste país, a conta simplesmente não fecha.

A encenação fica ainda mais absurda quando olhamos para a rotina familiar. Como essas pessoas criam seus filhos? Em quais milagrosas bolsas de estudo esses herdeiros se apoiam para frequentar as faculdades caras? Afinal, mensalidades de medicina ou direito em instituições de elite, somadas a custos de vida, exigem um fluxo de caixa que nenhuma "ausência de bens" consegue justificar.

Seria generosidade de padrinhos ocultos? Caridade de marcas parceiras? Ou estamos testemunhando a maior epidemia de amnésia financeira da história recente?

O que nos causa indignação não é apenas a ostentação, embora o mau gosto da futilidade em um país desigual já seja doloroso por si só.

O que rasga qualquer pacto de confiança pública é o deboche institucional. Declarar "nada ter" perante a Justiça Eleitoral enquanto se vive como rei é assinar um atestado de impunidade na cara do eleitor. É tratar a transparência como piada e a legislação como um mero obstáculo a ser contornado por engenhosidades fiscais, CPFs de terceiros e empresas de fachada.

O trabalhador comum, que rala o mês inteiro para pagar o aluguel e vê o imposto de renda ser retido direto na fonte sem qualquer margem para manobra, assiste a esse teatro de mãos atadas.

O cidadão comum sabe o preço do quilo da carne, sabe o valor da mensalidade escolar e sabe o quanto dói ver o saldo bancário encolher. Ver o "pobre no papel" ostentar luxo irreal na internet é um tapa na cara de quem cumpre a lei.

Está na hora de pararmos de tratar a inconsistência patrimonial como um detalhe folclórico da política ou da vida pública. Se a vida real exibida em telas de 6 polegadas não cabe nas folhas do TRE, alguém está mentindo, para a Justiça, para o Fisco e para a sociedade.

Temos no direito uma teoria amplamente utilizada no direito das famílias que é a TRANPARÊNCIA, ou seja a declaração do réu, para efeitos de pensão, precisa bater com o que ele divulda nas redes sociais.

E enquanto aceitarmos que "ricos sem patrimônio" nos governem ou nos deem lições de moral, continuaremos sendo a plateia pagante desse circo de ilusões.

H´muitas LARANJAS nesse mundo de ilusão.

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