14ª Exposição Agropecuária de São Fidelis, no interior do Rio de Janeiro, começa nesta quinta-feira com uma polêmica nos bastidores envolvendo o financiamento das atrações musicais.
O destaque da noite de abertura é a cantora Ana Castela, fenômeno do "agronejo", cujo cachê para a apresentação gratuita ao público foi fixado em R$ 850 mil.
A contratação da artista, que se autointitula "boiadeira", consome a maior parte de uma verba de R$ 1 milhão destinada ao município através de uma emenda parlamentar da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados.
A autoria da emenda é da deputada federal Dani Cunha (PL-RJ).
Dani Cunha é filha do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que teve seu mandato cassado em 2016 e ficou preso por corrupção.
Atualmente, a deputada busca a reeleição pelo Rio de Janeiro, enquanto seu pai tenta retornar à cena política concorrendo a uma vaga na Câmara por Minas Gerais.
A Expo São Fidelis terá quatro dias de programação com shows gratuitos. Além de Ana Castela, o evento contará com apresentações de Tiee, Maiza Lima e da dupla Junior e Gustavo.
No entanto, é o valor destinado à atração principal, em meio ao cenário eleitoral e ao histórico familiar da parlamentar, que tem gerado debate sobre a prioridade no uso de recursos públicos.
A utilização de emendas parlamentares para financiar shows de artistas sertanejos de alto cachê tem sido alvo de crescente fiscalização por órgãos de controle em todo o país, fenômeno que ficou conhecido como "CPI do Sertanejo".
Até o momento, a assessoria da deputada Dani Cunha e a prefeitura de São Fidelis não se manifestaram oficialmente sobre os critérios para a escolha da artista e o valor do cachê.
A equipe de Ana Castela também não emitiu comentários.
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