Ganhou força no Brasil o debate sobre a criação da chamada “OAB da Medicina”, expressão popular usada para se referir a um exame nacional de proficiência para médicos recém-formados, nos moldes do Exame da Ordem aplicado aos bacharéis em Direito. A proposta tem como objetivo principal avaliar se o profissional formado possui conhecimentos mínimos e habilidades técnicas para exercer a medicina com segurança.
O tema surge em meio à expansão acelerada de faculdades de Medicina, muitas delas com estrutura precária, escassez de campos de prática, falta de hospitais de ensino e corpo docente insuficiente. Especialistas alertam que o diploma, por si só, não tem sido garantia de formação adequada, o que pode colocar em risco a saúde da população.
Defensores da medida sustentam que um exame nacional ajudaria a proteger o paciente, elevar o padrão de qualidade do ensino médico e responsabilizar instituições de ensino com baixos índices de aprovação. Já os críticos argumentam que o problema está na fiscalização das faculdades, e não na imposição de mais uma prova ao profissional, além de apontarem riscos de exclusão social e reserva de mercado.
Atualmente, a proposta ainda gera forte divergência entre entidades médicas, estudantes, universidades e o próprio Congresso Nacional. Apesar disso, o debate evidencia uma questão central: quem cuida da vida precisa estar tecnicamente preparado, e o Estado não pode se omitir diante da formação deficiente de profissionais da saúde.
A chamada “OAB da Medicina”, mais do que um exame, escancara a urgência de rever o modelo de expansão do ensino médico no país, colocando a qualidade da formação e a segurança da sociedade no centro da discussão.
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