A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou a situação do Previcampos revelou um cenário preocupante para o funcionalismo público municipal.
O foco central dos trabalhos foi dificuldade recorrente nos repasses previdenciários e o impacto direto dessa instabilidade financeira sobre o futuro de servidores da ativa, aposentados e pensionistas.
Relatórios, oitivas e documentos analisados pela CPI apontaram que o sistema previdenciário municipal vem operando sob forte pressão, com atrasos, insuficiência de contribuições e fragilidade no equilíbrio atuarial.
Especialistas ouvidos alertam que, sem correções estruturais urgentes, o fundo pode não conseguir honrar seus compromissos nos próximos anos.
O problema não se limita a uma questão contábil. Trata-se de um risco social concreto. A manutenção de aposentadorias e pensões depende diretamente da regularidade dos repasses patronais e da boa gestão dos recursos acumulados ao longo de décadas de contribuição.
Quando esses repasses falham ou são feitos de forma incompleta, o sistema entra em rota de colapso.
A CPI destacaou que, mantido o atual ritmo de desequilíbrio, existe a possibilidade real de que, em poucos anos, servidores aposentados e pensionistas enfrentem atrasos ou até a suspensão de pagamentos.
O impacto seria devastador para milhares de famílias que dependem exclusivamente desses valores para sobreviver.
Parlamentares que integraram a comissão defenderam transparência total, responsabilização de eventuais gestores e a adoção imediata de medidas para recompor o equilíbrio financeiro do instituto.
Entre elas, estão a regularização dos repasses, a revisão atuarial e o fortalecimento dos mecanismos de controle.
A CPI do Previcampos deixou claro que não se trata apenas de apurar fatos do passado, mas de evitar uma crise futura anunciada.
O que está em jogo é a segurança previdenciária de toda uma geração de servidores públicos que contribuíram durante anos confiando na solidez do sistema.
Trabalhamos décadas pra isso?