Atualmente, comer tem deixado de ser um ato natural para se tornar um momento de culpa. A comida passou a ser definida entre “permitida” e “proibida”, “boa” e “ruim”, como se cada escolha à mesa definisse de forma irreparável quem somos.
O chamado terrorismo nutricional, refere-se a alimentação guiada pelo medo, e não pelo cuidado. O problema é que o medo não educa. Ele paralisa.
Pessoas que comem com culpa tendem a viver em ciclos de restrição, exagero e frustração. Hoje prometem recomeçar, amanhã se sentem fracassadas. E não porque faltou força de vontade, mas porque ninguém sustenta uma relação alimentar baseada em punição.
Estudos mostram que estratégias baseadas apenas em restrição calórica severa ou exclusão alimentar aumentam a liberação de hormônios relacionados ao estresse, como o cortisol, além de favorecerem alterações na percepção de fome e saciedade. O resultado é um organismo mais propenso a armazenar energia e um indivíduo cada vez mais frustrado com o processo.
Quando o medo é substituído por consciência alimentar, os resultados tendem a ser mais consistentes. A adesão melhora, a relação com a comida se torna mais equilibrada e o cuidado com a saúde se torna um hábito, e não apenas um ciclo de tentativas frustradas.
Falar de nutrição sem terrorismo é reforçar que saúde não se constrói com culpa, mas com conhecimento, estratégia e constância.
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