A Operação Chequinho, deflagrada para apurar um esquema de compra de votos em Campos dos Goytacazes, continua produzindo efeitos políticos relevantes mesmo anos após o seu início. O caso, que marcou profundamente o cenário eleitoral do município, volta ao centro do debate com a aproximação das eleições de 2026.
As investigações apontaram a utilização indevida de programas sociais como instrumento de cooptação de eleitores, com a concessão de benefícios financeiros vinculada a apoio político. O esquema resultou em ações penais, condenações, cassações de mandatos e longos processos judiciais que ainda reverberam nos tribunais.
Do ponto de vista jurídico-eleitoral, os desdobramentos da Operação Chequinho podem representar um obstáculo concreto à candidatura de diversos envolvidos em 2026. Isso porque a Lei Complementar nº 64/1990 (Lei da Ficha Limpa) prevê a inelegibilidade por oito anos para agentes públicos condenados por crimes eleitorais, abuso de poder político ou econômico, ou por decisões proferidas por órgão colegiado.
Mesmo nos casos em que ainda existam recursos pendentes, a situação de cada investigado ou condenado será analisada individualmente pela Justiça Eleitoral, especialmente no momento do registro de candidatura. Condenações confirmadas em segunda instância, ainda que sem trânsito em julgado, já são suficientes para impedir a participação no pleito.
Além do impacto jurídico, a Operação Chequinho deixou uma marca política duradoura. O episódio se tornou símbolo de um modelo de gestão e de campanha eleitoral associado a práticas ilícitas, reforçando o escrutínio da sociedade, do Ministério Público e do Judiciário sobre figuras públicas ligadas ao caso.
Com a eleição de 2026 se aproximando, o histórico da Operação Chequinho tende a ser novamente lembrado — não apenas como um capítulo do passado, mas como um fator decisivo para definir quem poderá, ou não, disputar cargos eletivos em Campos dos Goytacazes.
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