Campos dos Goytacazes vive hoje uma contradição visível a olho nu: uma cidade cada vez mais quente, árida e hostil ao pedestre, marcada pela carência de árvores e pela ausência de uma política pública consistente de arborização urbana.
O verde, que deveria ser tratado como infraestrutura essencial tão importante quanto asfalto e iluminação segue sendo negligenciado pelo poder público.
Em diversos bairros, o que se vê é a supressão de árvores adultas, muitas vezes realizadas sem comunicação prévia à população, sem audiências, sem transparência e, pior, sem reposição planejada.
Árvores que levaram décadas para crescer são retiradas em poucas horas, sob justificativas genéricas, enquanto o impacto ambiental, térmico e social é ignorado. O resultado é imediato: aumento da temperatura, piora da qualidade do ar, redução de sombra e desconforto para quem vive e circula pela cidade.
Campos carece de um plano municipal de arborização urbana, com critérios técnicos claros, espécies adequadas, cronograma de plantio e compromisso com a manutenção. Não basta plantar mudas em ações pontuais para fotos institucionais; é preciso garantir que elas sobrevivam, cresçam e cumpram sua função ambiental. Arborização não é ornamento, é política pública permanente.
A falta de árvores também revela uma lógica urbana ultrapassada, centrada apenas no carro, no concreto e no corte rápido como solução. Enquanto isso, a população paga o preço com ruas escaldantes, praças depauperadas e a perda progressiva da identidade ambiental da cidade.
Cuidar das árvores é cuidar da saúde, do bem-estar e do futuro de Campos dos Goytacazes. Sem planejamento, sem diálogo e sem respeito ao meio ambiente, o que se constrói não é desenvolvimento — é retrocesso.
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