Linha fina
Investigação aponta grupo majoritariamente familiar, uso de “laranjas”, fracionamento de transações e empresas para ocultar valores oriundos de estelionatos e fraudes digitais.
Campos dos Goytacazes — RJ
O Núcleo de Combate a Crimes Cibernéticos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CyberGAECO/MPRJ) denunciou 12 pessoas suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a golpes virtuais com atuação em Campos dos Goytacazes. Segundo o Ministério Público, os investigados teriam dissimulado a origem, movimentação e propriedade de mais de R$ 120 milhões provenientes de crimes patrimoniais, principalmente estelionatos.
De acordo com a denúncia encaminhada à Justiça, a maior parte dos denunciados pertence a um mesmo grupo familiar, apontado como responsável por gerir o fluxo financeiro e a logística de fraudes digitais. Entre as modalidades investigadas estariam clonagem de cartões bancários, falsificação de sites de vendas online e outras práticas usadas para enganar vítimas e capturar valores de forma ilícita.
“Ponto de ligação” e atuação com empresas
O MPRJ sustenta que o denunciado identificado pelas iniciais W.A.F. e a empresa WD Reciclagem Ltda. seriam um dos principais elos de ligação dentro do suposto arranjo criminoso, conectando o núcleo familiar e a operacionalização das movimentações financeiras.
“Braço direito” e “laranjas”
Ainda conforme a inicial da ação penal, um dos denunciados, identificado como L.F.P.A., é descrito como “braço direito” e “laranja” do grupo, com papel relevante na engrenagem de ocultação de patrimônio e circulação de recursos.
Já os denunciados J.A.C., M.M.P. e D.T.S. teriam recebido e repassado valores ao núcleo principal, além de figurarem como “laranjas” em registros formais de bens — que, na prática, permaneceriam sob controle dos integrantes centrais do esquema, segundo o MP.
Estratégias para dificultar rastreamento
A denúncia afirma que, para atrapalhar a identificação da origem do dinheiro, os denunciados teriam adotado práticas típicas de lavagem, como:
fracionamento de transações (valores “picados” em múltiplas operações);
uso de empresas para dar aparência de legalidade;
outras estratégias destinadas a ocultar movimentações e dificultar auditorias e rastreamento bancário.
Movimentações incompatíveis com a renda
O documento cita exemplos de volume financeiro considerado expressivo. Uma denunciada identificada como C.M. teria movimentado R$ 15 milhões entre 2019 e 2022. Somente em agosto de 2022, as contas atribuídas a ela teriam registrado mais de R$ 6 milhões. A acusação destaca a aparente incompatibilidade entre a movimentação e a renda declarada, apontada como R$ 4 mil mensais.
O que acontece agora
Com a denúncia oferecida, caberá ao Judiciário analisar o recebimento da peça acusatória e o andamento do processo, com possibilidade de instrução, produção de provas e responsabilização penal, conforme a evolução do caso.
Serviço ao leitor
Golpes virtuais costumam envolver falsas lojas, links de pagamento adulterados, clonagem de cartão e “atendimentos” por mensagens se passando por empresas. A recomendação é desconfiar de ofertas muito abaixo do mercado, evitar links enviados por terceiros e confirmar a autenticidade de sites e perfis antes de qualquer pagamento.
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